Vamos fazer nada novamente,
murmurar canções antigas, ou berrá-las e dançá-las.
O meu andar é engraçado e quem vê duvida
da minha sobriedade, mas ela é tão real.
É maior do que a deles, é maior do que a deles.
Há alguns anos eu tinha mãos pequenas
com dedos pequenos
que passavam no vão da caixinha de correspondência dos vizinhos.
Contas nunca foram tão decepcionantes
como quando o que eu procurava eram cartas
de amor, de amizade, cartas secretas de outra cidade
Há alguns dias eu tinha aquelas mãos,
quase as mesmas de agora, e elas passavam
pelos seus cabelos, e elas seguravam
as suas mãos enquanto tagarelávamos.
Mas a minha atenção estava no entrelaçar dos dedos.
E no futuro, quem sabe, essas mãos compridas
com dedos finos
passarão pelas caixinhas de correspondência dos vizinhos
por engano, e encontrar a minha será decepcionante
pelo número de contas tão maior do que o de cartas
sem papel, sem letras, sem remetente, sem nada.
sábado, 23 de abril de 2011
terça-feira, 29 de março de 2011
sexta-feira, 18 de março de 2011
taraxacum

Assopre o dente-de-leão, garoto,
eu sei que ainda há fascínio nisso.
Assopre e preste atenção
enquanto as sementes se libertam...
Eu gosto de como sorri
a sua face ensolarada, garoto,
enquanto o vento leva
os pequenos pára-quedas.
Assopre o dente-de-leão, futuro-homem,
assopre enquanto há fascínio nisso.
Pois quando homem for, querido,
o prazer provavelmente será menos belo
e menos simples do que um dia fora.
Assopre e preste atenção
enquanto as sementes se libertam...
Eu gosto de como sorri
a sua face ensolarada, garoto,
enquanto o vento leva
os pequenos pára-quedas.
Assopre o dente-de-leão, futuro-homem,
assopre enquanto há fascínio nisso.
Pois quando homem for, querido,
o prazer provavelmente será menos belo
e menos simples do que um dia fora.
sábado, 5 de março de 2011
boêmio
Boêmio
Nos cabarés da cidade
Buscas a felicidade
Na tua própria ilusão.
Boêmio
A boêmia resume
No vinho, o amor e o ciúme
Perfume, desilusão.
Boêmio
Ó Sultão, porque é que queres
Amar a tantas mulheres
Se tens um só coração?
Boêmio
Pensa na vida, um instante
E vê que o amor inconstante
Só traz, por fim, solidão.
Boêmio
Que ficas na rua
Em noite de lua
Tristonho a cantar
Na ilusão dos beijos viciosos
E dos carinhos pecaminosos.
Boêmio,
Tu vives sonhando
Com a felicidade
Mas não és feliz...
Vives, boêmio, sorrindo e cantando
Mas o teu sofrer
O teu riso não diz.
Por: Ataulfo Alves (a confirmar).
terça-feira, 1 de março de 2011
palavras de outrem
sábado, 26 de fevereiro de 2011
bittersweet
E se o calor do Sol me tocasse
e eu não sentisse nada?
Se tivesse esse prazer vetado,
que bem me faria?
Ou se fosse, então, insensível,
à amena brisa matinal
e não sentisse o aroma de gramíneas
que ela traz por gentileza?
A falta desses detalhes levaria
de minha vida toda a beleza.
Mas e se eu fosse imune
às pancadas gélidas do granizo,
ao queimar nocivo da chama,
à doença que o corpo inflama,
não seria maravilhoso?
Não seria maravilhoso.
Estaria eu abrindo mão do calor,
da brisa, do aroma de gramíneas,
da beleza, da vida,
da beleza da vida.
Prefiro sentir tudo a sentir nada,
A bonança e a tempestade são lados
da mesma moeda.
e eu não sentisse nada?
Se tivesse esse prazer vetado,
que bem me faria?
Ou se fosse, então, insensível,
à amena brisa matinal
e não sentisse o aroma de gramíneas
que ela traz por gentileza?
A falta desses detalhes levaria
de minha vida toda a beleza.
Mas e se eu fosse imune
às pancadas gélidas do granizo,
ao queimar nocivo da chama,
à doença que o corpo inflama,
não seria maravilhoso?
Não seria maravilhoso.
Estaria eu abrindo mão do calor,
da brisa, do aroma de gramíneas,
da beleza, da vida,
da beleza da vida.
Prefiro sentir tudo a sentir nada,
A bonança e a tempestade são lados
da mesma moeda.
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
devaneio
O mundo é meu canto secreto.
No silêncio das conversas alheias
minha mente sussurra sonhos antigos
e me lembro do que ainda não aconteceu
ao me perder no zunir dos carros.
E se eu deitar sobre a grama macia,
minha cabeça vai além e desce
ao centro da Terra, e queima
com seu núcleo tão antigo e flamejante.
E queima: prazerosa ou dolorosamente
nesse lugar tão particular que é o mundo.
É meu. E me atrevo a passar pelas vidas
e permanecer em quase nenhuma...
E anseio fazer sorrir, mesmo permanecendo
anônima, sem rosto, sem documento.
É tudo experiência incerta:
quem está completamente certo?
minha mente sussurra sonhos antigos
e me lembro do que ainda não aconteceu
ao me perder no zunir dos carros.
E se eu deitar sobre a grama macia,
minha cabeça vai além e desce
ao centro da Terra, e queima
com seu núcleo tão antigo e flamejante.
E queima: prazerosa ou dolorosamente
nesse lugar tão particular que é o mundo.
É meu. E me atrevo a passar pelas vidas
e permanecer em quase nenhuma...
E anseio fazer sorrir, mesmo permanecendo
anônima, sem rosto, sem documento.
É tudo experiência incerta:
quem está completamente certo?
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